O historiador austríaco Max Nettlau escrevia em 1935 a proposito da tarefa de recuperação da História do anarquismo, em um ambiente adverso, tanto para a pesquisa, quanto para a sua divulgação: “Mas conforme sabemos, nessa imensa literatura socialista, a anarquia pesa sempre como uma aberração, como um ramo morto, como o nada, do qual esses autores anunciam amiúde o completo desaparecimento e o triunfo integral seja do seu bolchevismo, seja de seu reformismo estatista-capitalista-socialista.”. Um testemunho que, a despeito de alguns tímidos avanços, parece-nos ainda muito válido para os dias de hoje. Em conformidade com tal juízo, a publicação do primeiro volume dos Cadernos de Formação do SINDSCOPE vem, em boa hora, preencher uma “quase inexplicável lacuna” no acúmulo político de parte significativa dos trabalhadores e trabalhadoras filiados à nossa entidade. Quer pela dificuldade de acesso, quer pelas insuficientes iniciativas de estudos sistematizados, a teoria revolucionária anarquista segue muitas vezes marginalizada, mesmo amesquinhada em seu conteúdo, do debate mais amplo e propositivo. Aparece, vez por outra, amputada de sua correspondente histórica imprescindível, a luta de classes, ou mesmo, e em não raras oportunidades, é tratada superficialmente de forma caricatural e completamente distorcida. Tal fato, se já não fossem suficientes as razões éticas para um qualificado resgate, acaba por privar os maiores interessados, os oprimidos e explorados, de uma ferramenta imprescindível para a luta cotidiana. Não apenas condena ao esquecimento parte da trajetória da classe trabalhadora, como ainda, e com consequências mais graves, impede que se produza por esta um quadro fidedigno de seus avanços e retrocessos. Segmenta e fragmenta uma história que, se olhada no seu todo, é de extrema importância para se pensar táticas e estratégias para o futuro.
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