Busca-se, neste livro, compreender as ações políticas e
econômicas do Banco Mundial ao longo da história, em especial para o
setor de águas, e, ainda, como se deu a influência da agência na
política de recursos hídricos do Brasil dos anos 1990 até a criação da
Agência Nacional de Águas. Segundo o autor, que faz o foco no governo de
Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), as mudanças ocorridas no setor a
partir da última década do século passado transformaram os recursos
hídricos, de abundantes e suficientes para suprir todas as necessidades
humanas, em produto limitado e com características de mercadoria. A obra pontua que o Brasil tem fartura de recursos hídricos, pois detém
a maior bacia hidrográfica do mundo, a Bacia Amazônica, e cerca de 70%
da reserva subterrânea de água doce da América do Sul, o Aquífero
Guarani. Apesar disso, no começo do século 21 cerca de 13,8 milhões de
brasileiros ainda não dispunham de serviços de água encanada. Ele diz então, que, além da situação regional de abundância ou falta de
água, o uso dos recursos hídricos relaciona-se também às políticas dos
governos para o setor, inclusive aos interesses inerentes ao controle
político da água. Para o autor a solução para os problemas relacionados
ao acesso à água e a seu uso sustentável não se dará por meio do
mercado, como pregam o Banco Mundial e seus parceiros, mas no momento em
que os recursos hídricos forem reconhecidos como direito humano
fundamental.
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