O mercado de alimentos é freqüentemente impulsionado por inovações
técnicas e científicas que, aliadas à retórica da alimentação saudável,
criaram, na década de 1980, o conceito de alimentos funcionais, ou
seja, alimentos que oferecem benefícios à saúde além da nutrição básica.
Ao mesmo tempo em que esses alimentos oferecem soluções para problemas
de saúde pública, geram confusão e engano nos consumidores, por estarem
situados de modo ambíguo entre alimento e medicamento, o que dificulta
sua classificação e regulamentação. Com base em leituras sobre a
sociologia da alimentação e em teorias sociais contemporâneas,
formuladas por estudiosos como Giddens e Beck, este trabalho pretende
discutir a governança e regulação das alegações de saúde, enfocando o
caráter de negociação e os conflitos entre grupos como indústria,
cientistas, profissionais da saúde, governantes e consumidores.
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