O modo como a imprensa atua em defesa da cidadania é o tema
deste livro, de Murilo César Soares. Baseado em levantamento e análise
de conteúdo dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo ele
discute os conceitos de cidadania, esfera pública e hegemonia, com
destaque para o papel do jornalismo como interface entre o Estado, a
sociedade civil e a opinião pública. Ponto central da pesquisa, o conceito de jornalismo é analisado em suas
diferentes facetas, como a de fiscalizador da ação do Estado - e,
portanto, participante do processo político e administrativo - e a de
intermediário da opinião pública. O estudo analisa ainda a mídia como
meio de agendamento e de enquadramento de questões públicas, ou seja,
como agente com capacidade de pautar e priorizar os assuntos para a
sociedade, além de deter o poder de focar, formatar e expor esses temas
ao transformá-los em material jornalístico. A atuação da imprensa em questões de cidadania é demonstrada a partir
da análise detalhada de como os dois jornais paulistas agendaram e
enfocaram casos envolvendo ameaça ou violação de direitos da cidadania e
as atitudes e ações das autoridades públicas em relação a tais
situações. A obra apresenta um painel da importância dada pelos diários à
cobertura de demandas de movimentos sociais ou da precariedade de
condições de vida, assim como da violação de direitos civis, como
prisões ilegais, violência policial e abuso de autoridade, além da
inserção dos negros na sociedade e na economia. Os resultados da pesquisa sobre a cobertura realizada pelos jornais dão
suporte para o autor situar a imprensa entre os meios sociais que
contribuem para a implementação dos direitos da cidadania e indicar
alternativas para seu aperfeiçoamento.
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