Sven Hassel descreveu a Segunda Guerra Mundial de maneira crua e
realista, com uma visão única de quem realmente presenciou os
acontecimentos da década de 40. Não temos aqui um romance escrito sobre
uma pesquisa histórica. Hassel viveu no front, ele foi a guerra. Ele era
um nazista, foi um soldado do Exército Alemão a quem serviu no período
de 1937 até o fim da guerra, em 45. Ele mostra que apesar dos horrores da guerra, os alemães que nela
lutaram não eram monstros inumanos desprovidos de emoção (ou meras
coisas para se atirar, como na maioria dos jogos em primeira pessoa onde
os nazistas se tornaram alvos humanos clássicos). Travam-se de homens e
mulheres com desejos, sonhos e vontades. E a maioria deles estava tão
tristes e apavorados com a guerra quanto o resto do mundo. Gestapo narra uma parte desta sua vida de soldado na pele de oito
companheiros sobreviventes da 5ª Companhia do 27º Regimento Blindado. Os
últimos oito que restaram após um ataque das tropas russas. Mas não
havia glória na derrota, e os oito apenas regressaram à Alemanha – mais
calejados, preparados e um pouco menos humanos – para aguardar novas
ordens. Citando um trecho no livro, numa interpretação um tanto quanto livre: “A
primeira coisa que aprendemos na guerra é mijar nas próprias botas“.
Não há um herói dentre os oito soldados, tampouco alguém querendo bancar
o herói. Tudo o que eles fazem é seguir as ordens recebidas, e tentar
sobreviver aos ditames (nem sempre muito inteligentes) de seus
superiores.
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