O Capote é um texto inovador: contribuiu para a “invenção” da cidade
“mais fantástica do mundo” (Dostoiévski) sem a qual não teriam sido
possíveis as Petersburgos de Dostoiévski, Blok, Andrei Béli, Mandelstam,
a Praga de Kafka, a Berlim de Benjamim, etc. A cidade onde os
homúnculos frustrados e solitários de Gógol se perdem e perdem o que têm
de mais íntimo (o nariz, o juízo, a identidade, o capote). É também um
texto inovador na sua forma sacudida, na alternância de estilos
contraditórios, nas hipérboles grotescas e, sobretudo, na assunção da
artificialidade da coisa escrita, na constante auto-ironia do que vai
sendo escrito, criando uma distanciação ou uma ruptura do texto com o
real cujo resultado é, contudo, uma estranha verosimilhança, uma
aproximação do fantástico ao real (à falta de melhores palavras, um
crítico russo chamou-lhe “fantasia sem fantástico”), da vida à morte, do
escrito ao vivido.
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