O assim chamado argumento, ou princípio, do “conhecimento do criador”, em sua versão em língua inglesa, maker’s knowledge,
é um dos temas mais importantes na discussão sobre a formação do
pensamento moderno. Contudo, esse tema não tem, com raras exceções,
recebido a devida atenção dos especialistas, filósofos, epistemólogos,
historiadores das ideias. Menos do que um argumento, trata-se na verdade de um
pressuposto básico na discussão desde o Renascimento, sobre a
possibilidade do conhecimento científico, sobretudo em sua relação com o
conhecimento técnico, entendido em um sentido amplo, desde as artes
até a engenharia, passando pela vida política. Isso revela como nesse
contexto, em contraste com o mundo clássico, o pensamento passa por uma
virada profunda. Essa virada altera radicalmente o modo de entendermos
a relação entre natureza e produção humana, entre o natural e o
artificial. É no quadro dessa problemática fascinante e pouco explorada,
subjacente a autores os mais inesperados, de Fílon de Alexandria a
Nietzsche, de Nicolau de Cusa a Immanuel Kant. Este trabalho que felizmente agora pôde ser publicado após
alguns anos torna acessível ao público leitor, interessado nessas
questões de filosofia e história das ideias, o pensamento de Adriana
Ítalo. Pensamento vivo, mesmo se sua autora já não o está mais. Podemos
reconhecer sua vivacidade, seu espírito crítico e inovador, sua
facilidade de escrita em cada linha, em cada formulação de argumentos,
em cada ideia inesperada.
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