O presente trabalho se propõe a investigar, à luz da filosofia da
existência, manifestações de angústia no diálogo de Graciliano Ramos e
Raimundo Carrero, mais especificamente em suas respectivas obras
Angústia e Somos Pedras que se Consomem, representativas, por
excelência, da referida temática nos autores. As personagens conduzem a
investigação que visa identificar como a angústia se inscreve nas
narrativas. Dessa perspectiva são abordados o encolhimento, a liberdade
existencial, a possibilidade de suicídio e a esperança, o incesto e a
desmesura. Tais assuntos vão tecendo a inquietação, alvo de discussão
de autores como Kierkegaard, Sartre, Gabriel Marcel, Erich Fromm,
entre outros convocados para o diálogo com os autores. Daí se depreende
que a angústia adâmica, que se manifesta como possibilidade de
conhecer o bem e o mal, é análoga à que hoje se manifesta no indivíduo e
na cultura, dentre outras formas, como impossibilidade de manter um
"eu" coerente, diante de diferentes identidades. Ou seja, esses textos
nos conduzem à compreensão de que a angústia é uma inerência à condição
humana, uma vez que o homem só se torna homem através da consciência
de si mesmo e essa consciência é em si angústia.
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