Cidadania, justiça e “pacificação” em favelas cariocas traz um
diagnóstico empírico da condição do exercício da cidadania nas favelas
do Cantagalo, do Vidigal e do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro,
cobrindo algumas das dimensões da cidadania, com ênfase no acesso à
justiça. O livro é resultado de extensa pesquisa de campo realizada
nestas favelas entre os anos de 2010 e 2013, incluindo dados gerados a
partir de entrevistas estruturadas (survey) e semiestruturadas
(entrevistas individuais e grupais), discutidos à luz de teorias e
outros estudos sociológicos e sociais, refletindo acerca dos efeitos que
a política pública de segurança destinada a estas áreas (as Unidades de
Polícia Pacificadora) têm provocado nas dimensões da cidadania
abordadas no estudo. O leitor encontrará, ao longo da publicação, o
mapeamento do perfil destas favelas e dos seus moradores, enfatizando a
negociação de identidades e a sociabilidade nesses espaços, passando
pela identificação da cultura jurídica dos moradores, das categorias
jurídicas por eles acionadas, e de percepções, vivências e atitudes que
manifestam com relação a dimensões diversas como qualidade de vida,
consumo de bens e serviços, lazer, conflitos, direitos, instituições de
justiça, segurança, moradia, educação, saúde, entre outras. As
evidências empíricas e as discussões analíticas aqui reunidas permitem
constatar a continuidade do déficit de cidadania dos moradores das
favelas cariocas, e caracterizar demandas por justiça não atendidas,
seja pela precariedade de infraestrutura, urbanização e serviços que
chegam até essas localidades, seja pela persistência dos estigmas da
marginalidade social, ou pelo desconhecimento de direitos e das
instituições de garantias desses direitos. A conclusão geral é de que a
política de pacificação traz alguns benefícios aos moradores, sobretudo
no aspecto da previsibilidade do seu cotidiano, reduzindo o medo e
aumentando o sentimento de tranquilidade nas favelas – apesar de gerar
novos conflitos. Já nos aspectos de desenvolvimento social e integração
da favela à cidade, a política deixa a desejar. O epílogo é enfático
nesse ponto, “a ruptura das dicotomias favela × bairro, morro x asfalto,
tão marcantes na paisagem e no imaginário cariocas, parece estar se
processando apenas no plano formal, enquanto isso a cidade segue partida
em seus aspectos simbólico e social.
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