Martin Heidegger (1889-1976), de origem católica, abandonou os estudos de teologia em 1911 para se dedicar às questões filosóficas. Também abandonou a fé cristã: dirá muito mais tarde que se a fé o interpelasse, teria que fechar o seu “atelier” de pensador. Num dia qualquer, a seguir talvez à guerra de 1914-18, soube que morreria um dia, soube-o angustiadamente. Avaliou retrospectivamente o seu passado, soube que poderia ser diferente do que era, podia escolher mudar o seu viver e que, escolhesse o que escolhesse como vida, as outras possibilidades não seriam nunca. Uma tal experiência, muitos humanos a tinham já feito antes dele, como a literatura ocidental testemunha. Mas o filósofo que ele era concluiu dela que a diferença entre o que ele era e o que ele ia ser correspondia ao que na tradição greco-europeia se chama ser, e que a sua característica essencial era a temporalidade própria do ser humano.
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