Depois do baile de Carnaval, numa rua cheia de luar, o Diabo fala com
Maria, para quem este é apenas um rapaz mascarado de Mefistófeles.
Autodenominando-se “Deus da Imaginação”, a quem Maria deve os seus
pensamentos com o Príncipe Encantado, bem como os seus sonhos com o
Homem Perfeito ou o amante interminável, o Diabo descreve-lhe as suas
melhores criações, o luar e a ironia, explicando-lhe como os crentes
tremem do seu nome e as igrejas o abominam. Mas, em vez de impressionar
Maria, esta demonstra-lhe a imensa pena que por si sente, e observa a
expressão de angústia que perpassa pelo rosto e olhos do homem vermelho,
ao deixar de súbito cair o braço que enlaçava o dela. Refere Teresa Rita Lopes, no posfácio a esta obra, que A Hora do Diabo,
juntamente com Fausto, o poema dramático que Pessoa foi escrevendo ao
longo da vida, é um dos mais longínquos projectos do jovem Pessoa,
correspondendo este texto, não a uma curiosidade literária, mas a um
tema que o poeta sempre desejou desenvolver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário