Pode parecer comum a um/a leitor/a de jornais e revistas
impressas que os editoriais ou artigos de opinião sejam
os “lugares adequados” para que posições
ideológicas sejam explicitadas. O que dizer das
notícias e reportagens, especialmente dos relatos de
crime de morte, uma vez que a mídia impressa se propõe a
informar os fatos que ocorrem na sociedade de forma
neutra e imparcial, deixando que o leitor os interprete
e tire suas próprias conclusões? Este estudo tem por
objetivo analisar a construção de identidades sociais de
vítimas e criminosos no relato de crimes de morte, como
um dos efeitos da prática discursiva, constituindo-se
assim, um importante instrumento para se verificar a
mudança social. Através da investigação das categorias
lingüístico-discursivas utilizadas na produção das
notícias e reportagens, destacamos a natureza
político-ideológica como base dessa construção de
identidades. Para viabilizar esta análise, nos situamos
na abordagem da Análise Crítica do Discurso como método
de pesquisa social, tomando como referencial
teórico-metodológico a teoria social do discurso de
Fairclough (2001) que analisa o discurso enquanto
produção textual, prática discursiva e prática social.
Ao verificarmos como se dá a representação lingüística
da realidade social no texto noticioso, precisamente, a
representação das identidades sociais de vítimas e
criminosos nos relatos de crimes de morte na mídia
impressa, percebemos que há uma discrepância entre a
realidade e a representação textual dessa realidade que
funciona ideologicamente. Uma análise crítica do
discurso da mídia impressa nos permite, portanto, uma
conscientização crítica dos usos da linguagem e sua
relação com as práticas sociais contribuindo assim, para
mudança social dessas práticas.
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