Com base em uma vasta pesquisa em milhares de documentos distribuídos
por mais de dez centros de documentação e acervos pessoais, o livro Heráclito Fontoura Sobral Pinto: toda liberdade é íngreme, do historiador Márcio Scalercio, traça uma biografia detalhada de um dos mais importantes brasileiros do século passado. Sobral Pinto ficou célebre por assumir causas conflitantes com os ideais
que professava, por entender que a defesa dos direitos individuais
estava acima de qualquer corrente de pensamento. A consciência era a sua
Carta Magna. Sua aversão ao comunismo e a tudo que estivesse vinculado ao ateísmo não
o impediu de aceitar a defesa dos comunistas Luiz Carlos Prestes e
Harry Berger, cidadão alemão; ambos personagens-chave do levante
comunista de 1935. Durante o processo, ficou de tal modo horrorizado com
os maus-tratos infligidos pelas autoridades aos seus clientes que se
viu obrigado a invocar o artigo 14 da Lei de Proteção dos Animais, em
vigor na época. Era um modo de denunciar as violências costumeiras que
aconteciam nos cárceres, o que ele próprio sentiu na pele por três
vezes, quando preso por governos ditatoriais. Nenhum outro advogado brasileiro ousou, de forma tão rígida e
inabalável, percorrer as íngremes e tortuosas ladeiras que levam à
liberdade. E outro caminho não há para alcançá-la. E nenhum outro
advogado teve ação destacada em dois períodos autoritários do Brasil: o
Estado Novo (1937-1945) e o regime militar (1964-1985). O livro é ricamente ilustrado por fotos inéditas e contém reproduções de
documentos da época em que o advogado fora monitorado pelos órgãos de
repressão. No total, há 60 imagens, dentre elas fotos inéditas e
documentos dos órgãos de repressão. A apresentação leva a assinatura de
Alberto Venancio Filho, advogado, historiador e membro da Academia
Brasileira de Letras (ABL), que destaca a luta de Sobral Pinto pelas
liberdades civis e contra o autoritarismo. “A vida de advogado militante
não lhe deu vagar para a realização de trabalhos doutrinários mais
profundos, mas os que divulgou dão mostra da sua cultura e do seu saber
jurídico.”
Baixe o arquivo no formato PDF aqui.
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