O presente trabalho tem como objetivo contribuir para o estudo das especificidades da aquisição/aprendizagem da língua espanhola por falantes do português brasileiro. Nesta dissertação são analisados o uso e o não uso da preposição marcadora de caso acusativo do espanhol a por estudantes brasileiros adultos. Durante sua elaboração buscamos embasamento teórico sobre a aquisição/aprendizagem de línguas estrangeiras e sobre as preposições e o objeto direto preposicionado, tanto na gramática do português quanto na do espanhol. Pudemos comprovar afirmações presentes em outros estudos sobre interlíngua de brasileiros que estudam o espanhol, tal como o fato de que o aparente uso gramatical da estrutura nem sempre revela a aquisição/aprendizagem da mesma, que a aquisição/aprendizagem de um item gramatical não se dá e nem deve ser estudada de forma isolada, que a mudança e a evolução da interlíngua são processos complexos e cuja natureza está longe de ser totalmente decifrada. O corpus formado por três tipos de produção escrita (texto, tradução e teste) revelou que a interlíngua de nossos informantes apresenta idiossincrasias. Através da análise dos dados, identificamos o que denominamos como momentos de imitação do input, criação e estabilização ao se utilizar a estrutura a+objeto direto, com variações significativas de acordo com o instrumento de coleta de dados. Constatamos que parte de nossos informantes utiliza a estrutura em questão, mas não consideramos que este uso na interlíngua seja o mesmo feito pelo falante nativo do espanhol, pois, apesar de ser um uso aparentemente gramatical da preposição, os mecanismos que levam a ele não são os mesmos utilizados por um falante nativo.
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