O leitor que abre este livro seguramente se sentirá desconcertado. Talvez não tanto porque vê um dos seus ídolos posto a nu, senão bem mais porque o tipo de linguagem que aqui se utiliza pretende quebrar a falsa solenidade com que a ciência em geral encerra sua própria ocupação. Para ascender ao conhecimento, que é uma forma do poder, não podemos continuar subscrevendo, com os olhos e a língua vendados, os rituais de iniciação com que as sacerdotisas da “espiritualidade” protegem e legitimizam seus direitos, exclusivos, de pensar e de opinar. Desta maneira, ainda quando se trata de denunciar as falácias vigentes, os pesquisadores tendem a reproduzir em sua própria linguagem a mesma dominação que eles desejam destruir.
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