Os estudos que compõem este livro têm em comum o interesse pelas
conseqüências do conteúdo universalista dos princípios republicanos para
as sociedades pluralistas nas quais os contrastes multiculturais se
agudizam, para os Estados nacionais que se reúnem em unidades
supranacionais e para os cidadãos de uma sociedade mundial que foram
reunidos numa involuntária comunidade de risco, sem ter sido
consultados. A primeira parte defende o conteúdo racional de uma
moral baseada no mesmo respeito por todos e na responsabilidade
solidária geral de cada um pelo outro. A segunda parte contém uma
discussão com John Rawls, para demonstrar que a teoria do discurso é a
mais apropriada para formular em conceitos as intuições morais que
norteiam Rawls, e que norteiam o próprio Habernas. A terceira parte
esclarece uma controvérsia que voltou a surgir na Alemanha depois da
reunificação: do conceito, inspirado pelo romantismo, da nação como
comunidade de cultura e de destino, etnicamente enraizada, que pode
reivindicar uma existência própria como Estado, alimentam-se até hoje
muitas convicções e opiniões problemáticas. A quarta parte ocupa-se da
realização dos direitos humanos em nível global e nacional. O
bicentenário do texto sobre a Paz perpétua dá o mote de uma revisão do
conceito kantiano dos direitos do cidadão do mundo, à luz da experiência
histórica. A quinta parte evoca e analisa pressupostos básicos da
teoria do discurso e respeito da concepção de democracia e de Estado de
direito.
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