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domingo, 1 de novembro de 2015

Manuel Ferreira - Literaturas Africans De Expressão Portuguesa Vol. II














No volume anterior, para além da Introdução geral ("Descobertas e Expansão" e "Literatura Colonial") e de uma ideia global da actividade literária do século XIX ("Sentimento Nacional") em todos os novos países africanos de expressão portuguesa, desenvolvemos, tanto quanto nos permitiu o espaço, a referenciação da literatura africana em Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. Vamos agora abordar, neste volume, as literaturas de Angola e Moçambique. Dada a necessidade da separação do trabalho em dois volumes, cremos que esta estrutura encontra umas tantas razões que a justificam. Razões geográficas ou políticas ou históricas ou culturais ou linguísticas, algumas delas comuns a grupos de dois países ou simultaneamente a três países. Constitucionalmente, Cabo Verde e Guiné-Bissau são uma unidade. Por outro lado, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe além de serem arquipélagos da costa ocidental africana, segundo Francisco José Tenreiro, e conforme já assinalámos, tiveram uma evolução conjunta até meados do século XIX. Por outro lado, S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde são países bilingues: a língua oficial (o português) e a língua-mãe (o dialecto), embora sejam notórias as diferenças entre um e outro, mas ambos com a mesma raiz na língua portuguesa. E é ainda este elemento que ajuda a reunir a Guiné-Bissau àqueles dois países, uma vez que, embora este último país seja plurilingue, tem a cobrir algumas das suas áreas o dialecto crioulo, parente do dialecto de Cabo Verde, facto que de igual modo deixámos dito para trás. Razões de peso ou não (tudo depende) são razões e por esta estrutura.

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