Confiando no texto, sabendo da potência dele, não precisamos nos preocupar em ser “super-heróis”, encarregados das mais incríveis peripécias para simplesmente dar de ler. Quem ‘trabalha o leitor’ não somos nós, mediadores, mas o próprio texto. Texto e leitor trabalham secretamente, no mais íntimo de si mesmos, e tudo o que nos cabe fazer é, exatamente, a mediação: pôr as pessoas em contato com a literatura. Uma vez feito isso, literatura e leitores ‘trabalham sozinhos’. O texto dispara no leitor um trabalho interior que escapa — e é bom que escape mesmo — ao nosso controle. Não damos de ler para controlar; damos de ler para disparar esses secretos e múltiplos sentidos. Damos de ler para que os outros, lendo, se surpreendam consigo mesmos. Confiando no texto, confiamos também nos leitores: quando uma pessoa e um texto se encontram, começa secretamente, no mais íntimo de cada um, o formidável trabalho de descobertas e recriações de si mesmos.
Baixe o arquivo no formato PDF aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário