A
África tem uma história. Abatido por vários séculos de opressão, esse
continente presenciou gerações de viajantes, de traficantes de escravos,
de exploradores, de missionários, de procônsules, de sábios de todo
tipo, que acabaram por fixar sua imagem no cenário da miséria, da
barbárie, da irresponsabilidade e do caos. Essa imagem foi projetada e
extrapolada ao infinito ao longo do tempo, passando a justificar tanto o
presente quanto o futuro. Não
se trata aqui de construir uma história-revanche, que relançaria a
história colonialista como um bumerangue contra seus autores, mas de
mudar a perspectiva e ressuscitar imagens “esquecidas” ou perdidas.
Torna-se necessário retornar à ciência, a fim de que seja possível criar
em todos uma consciência autêntica. É preciso reconstruir o cenário
verdadeiro. É tempo de modificar o discurso. Se são esses os objetivos e
o porquê desta iniciativa, o como – ou seja, a metodologia – é, como
sempre, muito mais penoso.
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