A presente pesquisa tem por objeto a agitação política e social
desenvolvida pela militância anarquista paulistana em torno de duas
campanhas em que a mesma tomou parte entre os anos de 1909 e 1916: a
campanha contra o Orfelinato de Artes e Ofícios Christóvam Colombo e a
campanha em favor da construção das Escolas Modernas em São Paulo. Tendo
por fonte documental os registros tecidos pela participação da
militância anarquista envolvida na produção coletiva do periódico A
Lanterna ao longo destes anos, este estudo teve como objetivo constituir
uma leitura acerca dos cernes de sociabilidade desenvolvidos e
instigados em meio a suas manifestações diretamente relacionadas à
questão educacional no Brasil destes anos. Nos artigos e reportagens
coletivamente construídos e disseminados por A Lanterna sobre as duas
campanhas, foram encontrados e delineados indícios diversos que apontam
para uma multifacetada e singular constelação de aspectos políticos,
sociais e culturais de resistência, crítica e transformação da realidade
em que viviam. A partir dos registros de uma coletiva construção e
difusão de saberes e práticas por meio do incentivo à adoção de
sociabilidades especificamente adaptadas às circunstâncias de suas
agitações, forjaram-se instrumentos tanto para a denúncia dos aspectos
ideológicos do discurso dominante vigente quanto para a experimentação
de seus ideários utópicos em meio ao mundo em que viviam. No uso desses
instrumentos, esta pesquisa pôde perceber uma clara preocupação com a
coerência entre meios e finalidades nos saberes e práticas desenvolvidas
por estes militantes.
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