O tema da diversidade cultural vem suscitando um interesse notável
desde o começo do século XXI e suas interpretações têm sido variadas e
mutáveis. Para alguns, a diversidade cultural é intrinsecamente positiva
na medida em que se refere a um intercâmbio da riqueza inerente a cada
cultura do mundo e, assim, aos vínculos que nos unem nos processos de
diálogo e de troca. Para outros, as diferenças culturais fazem-nos
perder de vista o que temos em comum na condição de seres humanos
constituindo, assim, a raiz de numerosos conflitos. Este segundo
diagnóstico parece hoje mais crível uma vez que a globalização aumentou
os pontos de interação e fricção entre as culturas, originando tensões,
fraturas e reivindicações relativas à identidade, particularmente a
religiosa, que se convertem em fontes potenciais de conflito. Por
conseguinte, o desafio fundamental consistiria em propor uma perspectiva
coerente da diversidade cultural e, portanto, clarificar que longe de
ser uma ameaça, a diversidade pode ser benéfica para a ação da
comunidade internacional. É esse o objetivo essencial do Relatório Mundial Investindo na
Diversidade Cultural e no Diálogo Intercultural produzido pela UNESCO
com a colaboração de especialistas de vários países do mundo. O estudo
mostra a importância da diversidade cultural nos mais variados domínios
de intervenção (línguas, educação, comunicação e criatividade) e
oferece sólidos argumentos para decisores e atores sociais sobre a
importância de se investir na diversidade cultural como dimensão
essencial do diálogo intercultural, na construção de estratégias para o
desenvolvimento sustentável, na garantia do exercício das liberdades e
dos direitos humanos e no fortalecimento da coesão social e da boa
governança.
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