As idéias e imagens que povoam os cenários mentais de brasileiros e portugueses sobre a
África e os africanos resultam de um intenso processo de apropriação e invenção do
diversificado e heterogêneo conjunto de formas e sentidos utilizados para observar às
sociedades daquele continente. Representações formadas por ingredientes herdados de uma
longa e multifacetada tradição e por outros fabricados a partir das experiências históricas e
diálogos estabelecidos entre esses espaços atlânticos nos dois últimos séculos, o certo é que,
boa parte dessas imagens, associa os africanos a uma série de leituras depreciativas, apesar
de existirem também os esforços em sentido contrário. A partir desse quadro, a presente
pesquisa objetivou refletir sobre o papel desempenhado pelo ensino da história da África,
nas escolas lusas e brasileiras, na tentativa de modificar ou preservar essas cenas. A partir
da análise do tratamento concedido às trajetórias históricas e das representações elaboradas
sobre as sociedades africanas nos manuais escolares de História, a investigação revelou a
existência de um quadro ambíguo, que, apesar de sinalizar para algumas mudanças, indica
a permanência de um extenso conjunto de representações formuladas sobre a questão.
Antes de qualquer outra reflexão ela demonstra a necessidade imperiosa de repensarmos a
inserção da temática no ensino em ambos os países e de reforçarmos as fileiras de
historiadores dedicados a observar a África e suas realidades.
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