A intenção deste estudo é analisar o conceito de affordance de James
Gibson (1904-79) e suas implicações teóricas e filosóficas,
principalmente no que se refere às noções de informação e de percepção. O
termo é utilizado em vários campos, como em psicologia de percepção,
psicologia cognitiva, psicologia de ambiente, design industrial,
interação homem-computador, design de interação e inteligência
artificial, mas o livro aborda, principalmente, as interações
agente-ambiente baseadas na percepção visual. Os autores partem do
princípio de Gibson de que, como um organismo visualmente sensitivo, o
homem se move para atingir as suas metas e tem grande parte de suas
atividades sob o controle direto da visão, possibilitando uma interação
dinâmica com o meio. Assim, duas perspectivas teóricas foram revistas
neste livro - a perspectiva representacionista, que admite que as
representações mentais são necessárias para a percepção visual, e a
perspectiva ecológica, segundo a qual o ambiente pode ser percebido sem o
envolvimento de processos representacionais. O estudo discute ainda uma
variedade de aspectos relacionados ao conceito de affordance, tais como
a noção de reciprocidade (animal-ambiente, percepção-propriocepção e
percepção-ação), as relações com eventos, sua ontologia e as principais
críticas feitas por cientistas cognitivos.
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