Em Primeiro
como tragédia, depois como farsa – analogia à famosa frase de Karl Marx
em O dezoito brumário sobre a repetição dos Bonaparte no poder (Napoleão
e Luís) –, o filósofo esloveno Slavoj Žižek sustenta a tese de que
vivemos em uma nova etapa do capitalismo global, na qual o mesmo
discurso que garantiu uma ofensiva geopolítica após os atentados de 11
de setembro tem encontrado dificuldade em se sustentar no período
pós-crise financeira de 2008. Traçando uma argumentação tanto da
tragédia como da atual farsa, o autor expõe o cinismo contemporâneo dos
pregadores e praticantes da democracia liberal ao analisar o discurso do
presidente Bush em dois momentos diferentes que evocam a suspensão
parcial dos valores norte-americanos (garantia de liberdade individual,
capitalismo de mercado) para salvar da falência esses mesmos valores. A
Žižek parece, portanto, que a utopia democrático-liberal teve de morrer
duas vezes, já que o colapso da utopia política do 11 de Setembro não
trouxe o fim da utopia econômica do capitalismo de mercado global, o que
só ocorreu com a crise financeira de 2008.
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