Com uma abordagem trazida da Filosofia da Educação e da Antropologia e
utilizando como bússola os estudos do filósofo e músico alemão T. W.
Adorno, a autora procura explicar as razões da falta de capacidade de
numeroso grupo de ouvintes para a apreciação autônoma da arte musical,
bem como distinguir arte de entretenimento. Para ela, grande
parte da responsabilidade está no assédio permanente aos nossos ouvidos
do que há de pior na produção da pseudomúsica de massa – um verdadeiro
loteamento do espaço sonoro, que conduziria à infantilização do gosto e à
submissão dos ouvintes ao poder midiático, e ao mesmo tempo para
valores e comportamentos que favorecem a má formação e a alienação. O
problema também estaria relacionado a deficiências já no aprendizado da
música enquanto linguagem, causadas, em grande parte, por uma visão
ingênua dos educadores diante da questão – como se a “culpa” fosse
simplesmente a de um gosto musical duvidoso dos alunos. A autora critica
ainda a omissão dos governos, ao deixarem as indústrias culturais
livres para produzir e distribuir bens simbólicos com tal
sistematicidade que estes, ao serem veiculados nos meios de comunicação,
se transformam também em meios de educação das massas.
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