A proposta do autor é discutir as razões que fizeram o tratamento com
medicamentos antidepressivos ter se tornado hoje o mais largamente
empregado no combate a transtornos mentais e emocionais, e os efeitos de
sua prescrição continuada nos pacientes. De acordo com o pesquisador, o
tema merece urgente atenção, à medida que um estudo da Organização
Mundial da Saúde (OMS) prevê para 2030 a depressão como a doença mais
comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de
saúde, incluindo câncer e moléstias cadíacas. O pesquisador defende que esta “revolução psicofarmacológica”
representa uma espécie de quebra de paradigma sobre o entendimento
psiquiátrico do tratamento das chamadas doenças mentais, já que as
queixas emocionais passaram a ser vistas como fruto de um mero
desbalanceamento neuroquímico. Por esta abordagem, diferentes
problemáticas (escolar, social, cultural etc.) que também poderiam estar
na origem dos distúrbios foram englobadas no campo da medicina, por
meio da patologização. Assim, com a transformação dos psicofármacos de coadjuvantes em
protagonistas nos tratamentos psicológicos, as explicações neuroquímicas
do sofrimento psíquico avançaram, enquanto declinaram as explicações
metapsicológicas, referentes ao universo do inconsciente psicanalítico e
às “terapias da fala”. O resultado, para o autor, seria uma enorme
perda para o sujeito, já que neste processo, em troca da rápida remissão
do sofrimento psíquico, tomada como cura, as narrativas pessoais são
geralmente expulsas da clínica psiquiátrica.
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