Na década de 1960, o húngaro naturalizado brasileiro Peter Kellemen
escreveu um livrinho que, se por um lado fez sucesso, por outro foi
também objeto de muitas críticas. Chama-se Brasil para principiantes.
Nele, o autor conta fatos hilários e supostamente verdadeiros da sua
chegada ao Brasil e sobre como penou para se acostumar ao conhecido
“jeitinho brasileiro”. Inicia o livro com a história de como foi convencido pelo próprio
cônsul a declarar a sua profissão como agrônomo, não como médico, ao
preencher o formulário para obtenção do visto de entrada no Brasil. “Meu
filho, você acha que está fazendo uma declaração falsa ou, digamos, uma
afirmação sem fundamento? Evitamos somente que perca seu tempo e possa
embarcar logo. Seu visto ficará pronto à tarde.” Segundo o autor, o cônsul não lhe sugeriu a mudança da declaração da
profissão de médico para agrônomo com a preocupação de ganhar dinheiro
ou algum presente, mesmo porque era um homem milionário. Simplesmente,
diante das dezenas de imigrantes que passavam diariamente pelo
consulado, a declaração como agrônomo, profissional cujo ingresso no
país era naquele momento incentivado pelas autoridades, facilitaria o
trabalho dos ocupados funcionários daquela repartição. Assim foi o autor
apresentado ao “jeitinho” brasileiro que, como disse no livro, não tem
tradução para outro idioma.
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