A partir de dois famosos romances do escritor paulista Ignácio de Loyola
Brandão (1936) - Bebel que a cidade comeu e Não verás país nenhum - a
autora discute o papel da obra literária enquanto discurso político,
capaz de não só expressar desejos, opiniões e sensibilidades, mas também
transmitir mensagens e modelar comportamentos, sugerir pensamentos e
difundir padrões a serem seguidos, além de problematizar a vivência
social. Para a autora, os dois romances de Loyola refletem com perfeição
a dimensão política da arte literária num momento de repressão e de
cerceamento da liberdade, ao mostrarem várias questões que perpassavam o
Brasil no período ditatorial, e são importantes menos por seu valor de
verdade, mas por desvelar, via forma e enredo, as inquietações, as
sensibilidades e as memórias ocultas que as engendraram. Tais obras
seriam testemunhas de um passado que elas conservam vivo e pulsante,
especialmente por Loyola não investir em um tipo de arte planfletária ou
político-pedagógica, mas sim em uma escrita em que a indignação diante
da humilhação e da dor se faz bastante presente, o que lhes dá um
caráter ao mesmo tempo histórico e atemporal.
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