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terça-feira, 8 de março de 2016

Marcello Tari - Um Piano Nas Barricadas: Autonomia Operária (1973-1979)














Durante o mês de Março os sindicatos, intuindo que a raiva operária estava em crescimento, começam a convocar greves sincronizadas de poucas horas, que não tinham qualquer impacto sobre o patronato e davam aos operários apenas uma incómoda sensação de frustração. As coisas tinham de mudar, e velozmente. Na edição de Abril de “Rosso”, na altura ainda o “jornal quinzenal do grupo Gramsci” de Milão, os operários das oficinas da Mirafiori relatam que tudo começou num dia em que fizeram uma assembleia sem os “bonzos” do sindicato. Os operários sentaram-se à mesa da cantina e começaram a falar entre eles, percebendo que todos concordavam que as formas de luta levadas a cabo pelos delegados dos conselhos de fábrica eram insuficientes. Mas descobrem também, graças aos mais jovens entre eles, que existem outras maneiras de estarem juntos: não burocratizadas, mais vivas, mais belas e das quais se sai mais forte. Decide-se mudar de sistema. Como em 1969, começam a ser vistas manifestações no interior das instalações da fábrica, agora lideradas por operários mais jovens que, com o rosto coberto com lenços vermelhos, atacam os chefes, os seguranças, os fura-greves e os espias, destroem a maquinaria, sabotam os produtos acabados. Vão todos em cortejo à reunião seguinte do conselho de fábrica e os delegados sindicais receiam seriamente ser agredidos: os operários interrompem a reunião e dizem “basta”. A 23 de Março, durante a enésima greve com manifestação interna, começa a ser preparado o plano de ataque: bloqueio das mercadorias em saída, piquetes nas portas de entrada da fábrica e grupos móveis de operários que controlam todos os departamentos. A 26 começa o primeiro bloqueio de uma hora, mas no dia seguinte a coisa torna-se maior, corre a informação nos departamentos, nos refeitórios, por todo o lado. Escondem-se as bicicletas dos chefes e dos fura-greves e organizam-se estafetas entre as diversas portas, sentinelas vermelhas sobem aos muros da fábrica, os telefones dos seguranças são sequestrados e utilizados para trocar informações em tempo real. A organização da luta transforma-se, de um fetiche adorado pelos mais variados inventores de “consciências externas” do proletariado, em algo que nasce no momento da ação e dentro desta.

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