A tarefa da ideologia capitalista é manter o véu que impede as
pessoas de ver que as suas próprias actividades reproduzem a forma da
sua vida quotidiana; a tarefa da teoria crítica é revelar as actividades
da vida quotidiana, torná-las transparentes, fazer com que a reprodução
da forma social da actividade capitalista seja visível nas actividades
diárias das pessoas, em A reprodução da Vida Quotidiana.O percurso intelectual de Fredy Perlman (1934-1985) exprime de forma muito eloquente a evolução do pensamento crítico (a que podemos chamar radical, que vai à raiz)
decorrida entre o pós-guerra e o nosso tempo, ao longo da travessia que
vai da assunção iluminista do progresso como categoria incontestável à
desmontagem dos fundamentos dessa ideia de progresso. De início marxista
«convencional», Fredy foi operando modificações nas suas análises e
perspectivas a partir da sua própria experiência prática, designadamente
como estudante e professor universitário, e dos novos conhecimentos que
foi carreando nas lutas sociais e em extensas leituras e releituras da
História, que o levaram a empreender uma crítica radical da
industrialização e uma importante reavaliação da história dos povos
tribais ou sem Estado.
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