Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio
Pochmann lança, pela Boitempo, um estudo sobre a mobilidade na base da
pirâmide social brasileira durante o início do século XXI. Nova classe
média? analisa as recentes transformações na sociedade e refuta a idéia
de surgimento de uma nova classe no País, muito menos a de uma nova
classe média. O resgate da condição de pobreza e o aumento do padrão de consumo,
afirma Pochmann, não tiram a maioria da população emergente da classe
trabalhadora. Para ele é preciso a politização classista do fenômeno
para aprofundar a transformação da estrutura social, sem a qual a massa
popular em emergência ganha um caráter predominantemente mercadológico,
individualista e conformista sobre a natureza e a dinâmica das mudanças
socioeconômicas no Brasil. Pochmann faz nesse livro “uma reflexão sobre transformações recentes
ocorridas no país, com a volta do crescimento econômico, e as
características das ocupações e das relações de trabalho na base da
pirâmide social. E em cada um dos capítulos, defende pontos de vistas
que não são consensuais entre os especialistas, o que torna ainda mais
importante a sua leitura”, afirma José Dari Krein, professor do
Instituto de Economia da Unicamp e autor do texto de orelha. Em
contraposição à visão predominante, que busca explicar o atual processo
pela emergência de uma nova classe média, o livro mostra que, apesar dos
avanços recentes, a dinâmica das ocupações e do rendimento requer algo
mais do que a inserção das pessoas no mercado de consumo.

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