As mudanças climáticas seriam mesmo fruto exclusivo da ação humana? Ou
esta seria mera coadjuvante – se tanto – neste cenário? Paulo Cesar
Zangalli Junior analisa aqui os paradigmas aquecimentista antrópico e do
aquecimento natural e revela que a primeira corrente exerce de longe a
maior influência sobre a mídia e os conteúdos escolares. O autor demonstra que isso ocorre porque a ciência da mudança climática
global embasa-se fortemente no paradigma segundo o qual são os seres
humanos os principais responsáveis pelo aumento da temperatura no
planeta nas últimas décadas. Como a produção científica a justificar tal
paradigma concentra-se em institutos de pesquisa dos Estados Unidos,
Reino Unido, Alemanha, Noruega e Suíça ou realiza-se em colaboração com
aquelas instituições, constrói-se um discurso hegemônico: “Podemos
afirmar que os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha são os países
que determinam as regras científicas e, quiçá, políticas e econômicas da
discussão”. A mídia, nesse contexto, atua como sujeito legitimador das agendas
públicas sobre o assunto, lançando mão de “uma pauta de notícias
calendarizadas que privilegiam os discursos oficiais e as conferências
científicas”. Segundo o autor, ao assumir o ser humano como principal
responsável pelas mudanças climáticas, a mídia emprega mensagens
simbólicas geralmente carregadas de apelos morais quando defende
intervenções para o enfrentamento do problema, além de dar destaque a
eventos extremos, relacionados estritamente aos impactos do aquecimento
global. Já nas escolas a abordagem do tema confunde-se com a das demais
questões ambientais e, mesmo que conheçam os dois paradigmas científicos
e os apresentem aos alunos, os professores enfatizam mais o do
aquecimento como fruto das emissões de CO2 da sociedade urbana
industrial. O clima, porém, pontua o autor, é extremamente dinâmico e complexo, e
mudanças, como as verificadas atualmente, jamais passaram despercebidas à
história da Terra: “Caberá ao tempo nos dar maiores evidências sobre
esse assunto que resulta em tão polêmico debate”.
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