Esta obra pretende abordar a relevância da teologia hermenêutica de
Claude Geffré para a leitura do fenômeno da revelação na perspectiva do
pluralismo religioso. Segundo Geffré, uma teologia com orientação
hermenêutica designa o próprio destino da razão teológica no contexto do
pensável contemporâneo, pois diz respeito a uma nova postura diante do
pluralismo religioso hodierno. Diante da atual polifonia religiosa
entoada pela multiplicidade de religiões do mundo, o cristianismo é
chamado a expressar e a redefinir a sua identidade singular. Para
Geffré, o sagrado só pode ser concebido como um fenômeno multifacetado.
Há um enigma presente na alteridade plural das concepções religiosas,
cuja manifestação expressa a riqueza espiritual da vivência humana do
divino. As confissões de fé emergem da tradição, cujas definições não
podem ser concebidas apenas como atos de jurisprudência, mas sim como a
tradução de atos de interpretação que buscam responder às situações
existenciais de crise, onde o elemento da fé é questionado. A mudança
das situações contextuais provoca uma adequação do sentido original à
realidade em questão. A dinâmica da recepção provoca uma abertura de
sentido aos enunciados da fé revelada e elaborada dogmaticamente. A
disposição em retomar de modo criativo o sentido da fé em vista das
novas experiências históricas, traz uma vitalidade aos enunciados da fé.
A teologia católica tem buscado superar uma postura eclesiocêntrica
para abraçar um sentido mais ecumênico e reinocêntrico da revelação de
Deus na história.
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