Por uma recorrente visão linear e evolutiva dos processos históricos, as
formas de vida social tendem a ser pensadas se sucedendo no tempo. Em
cada etapa consecutiva, apenas são exaltados seus principais
protagonistas, isto é, os protagonistas diretos de suas contradições
principais. Os demais atores sociais seriam, em conclusão, os que, por
alguma razão, se atrasaram para sair de cena. O campesinato foi
freqüentemente visto dessa forma, como um resíduo. No caso particular do
Brasil, a esta concepção se acrescenta outra que, tendo como modelo as
formas camponesas européias medievais, aqui não reconhece a presença
histórica do campesinato. A sociedade brasileira seria então configurada
pela polarizada relação senhor–escravo e, posteriormente,
capital–trabalho. Ora, nos atuais embates no campo de construção de
projetos concorrentes de reordenação social, a condição camponesa vem
sendo socialmente reconhecida como uma forma eficaz e legítima de se
apropriar de recursos produtivos. O que entendemos por campesinato? São
diversas as possibilidades de definição conceitual do termo. Cada
disciplina tende a acentuar perspectivas específicas e a destacar um ou
outro de seus aspectos constitutivos. Da mesma forma, são diversos os
contextos históricos nos quais o campesinato está presente nas
sociedades. Todavia, há reconhecimento de princípios mínimos que
permitem aos que investem, tanto no campo acadêmico quanto no político,
dialogar em torno de reflexões capazes de demonstrar a presença da forma
ou condição camponesa, sob a variedade de possibilidades de objetivação
ou de situações sociais.
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