O espaço pode ser entendido como uma mediação interativa entre as formas
do ambiente construído, resultantes da transformação da natureza, e a
vida social que as anima, cuja dinâmica de produção articula
dialeticamente as dimensões do percebido, do concebido e do vivido.
Assim, o processo de produção e os modos de apropriação do espaço
metropolitano de Brasília são os focos de presente análise. Como a
configuração espacial de Brasília, marcada pelas descontinuidades do
tecido metropolitano e pelas grandes distâncias delas decorrentes,
influencia no uso do espaço-tempo quotidiano por parte dos habitantes de
sua periferia goiana e oferece possibilidades e/ou limites à realização
do direito à cidade? Para responder a essa questão, a realidade da
metrópole é discutida em dois aspectos principais: um primeiro,
concernente à compreensão do espaço metropolitano como produto
sócio-histórico, resultado da concepção dos elaboradores do projeto de
construção de uma nova capital para o Brasil e da prática espacial -
deles e daqueles que se apropriam desse espaço, também atuando em sua
produção - que resultou naquilo que hoje conhecemos como Brasília e seu
espaço metropolitano; e um segundo, atinente à passagem da análise do
plano discursivo ao plenamente vivido, ou seja, a partir da
demonstração, por meio de ideias, conceitos, informações e constatações,
de qual espaço metropolitano se trata, busca-se adentrar esse espaço à
escala do quotidiano a fim de tentar mostrar o espaço vivido: aquele do
qual se apropriam os habitantes de uma periferia distante e supostamente
menos integrada que são, na verdade, parte constituinte da metrópole.
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