O livro reúne três narrativas sobre uma questão central, que poderia
ser definida como “a condição feminina”, numa sociedade ainda dominada
pelos homens. A essa altura o leitor pode estar achando que tem nas mãos uma tese
sociológica disfarçada de ficção. Nada disso. O grande mérito de A
Mulher Desiludida é conseguir superar os pressupostos ideológicos da
escritora e criar, a partir daí, grande literatura. Na primeira narrativa, a mais autobiográfica, vemos um casal de
intelectuais maduros, ambos de esquerda, em conflito com as posições
cada vez mais conservadoras do filho, Philippe. O conto prenuncia não só
as reflexões posteriores de Beauvoir sobre a velhice, mas também o
confronto de gerações que explodiu em maio de 68. O segundo quadro deste tríptico é o monólogo angustiado de Murielle,
que, depois de dois casamentos fracassados e do suicídio da filha,
rumina em solidão o seu ódio pelo mundo e por um Deus que talvez não
exista. Na última história, a mais longa, acompanhamos o irreversível
desabamento da vida familiar de Monique, uma típica dona-de-casa que de
repente se vê abandonada pelo marido e desprezada pelas filhas.
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