Uma palavra sobre Berta Ribeiro. Até a sua morte foi quem mais nos
ensinou sobre a Amazônia. Outros estudiosos acumularam, de modo
relativo, mais informações sobre a selva e o rio imensos e sua gente
ciclópica. Berta mergulhou nesses autores, mas não nos ensinou nada de
segunda mão. Afastou as idealizações, descobriu os véus e nos entregou
essa Amazônia urgente que, já no título, convida à luta contra as forças
destrutivas do Mercado e, ainda que com pesos distintos, do Estado.
Coerentemente, sua última personagem é Chico Mendes. Berta nos revela, em síntese, uma Amazônia como uma rede intrincada e
dinâmica de vida. Em outras palavras, aponta o que é ser gente na
Amazônia. É sofrer num paraíso. Não o paraíso edênico, vazio de seres
humanos, como no imaginário dos viajantes europeus, mas um local
fantástico em que a vida repete, sem cessar, o milagre.
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