Quando Robert Southey começou a redigir a primeira história crítica do Brasil, escolheu iniciar o livro pela Amazônia. Ele relatou, então, a “descoberta” da região por Vicente Yañes Pinzón. O paradoxo é evidente: o primeiro a encontrar a futura colônia de Portugal era um espanhol. Mas o escritor inglês acabou nos deixando um importante princípio, já que estudar a colonização amazônica é, realmente, inseri-la no processo de avanço das fronteiras lusitanas. Tratamos nesta obra da contribuição dos missionários para a constituição e consolidação dos limites entre as duas coroas ibéricas. As missões eram “instituições de fronteira”, como escreveu Charles Boxer. Graças aos direitos do padroado, os reis podiam escolher quem iria para as Américas e onde ficaria estabelecido. Relativamente controlados pela política das metrópoles, os religiosos, entretanto, embarcavam motivados pela fé. Tinham por vocação fundamental a tarefa de expandir o Reino de Deus.
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