Este livro, escrito em 1946-47 e publicado logo após pelas Editions
Sociales, fazia parte de um ambicioso projecto: um Tratado de
Materialismo Dialético em oito tomos. O primeiro volume, Lógica Formal,
Lógica Dialética, deveria servir como introdução aos volumes seguintes.
Foi o único que apareceu. Em que condições esse projecto foi abandonado?
Em condições políticas. Em pleno período stalinista, agravado pelo
"zdhanovismo", foi lançada na França uma palavra-de-ordem: ciência
proletária contra ciência burguesa. Uma palavra-de-ordem que _ como
diziam_ era justificada pela situação mundial e transportava para o
terreno teórico a luta de classes prática (política). Este volume, que
se exigira não ser publicado numa editora "burguesa" e que passava por
uma vitória sobre os fanáticos stalinistas (a leitura e a exegese de
Stalin eram suficientes, segundo eles, para a "formação ideológica"),
este volume sofreu, desde o seu aparecimento, as mais severas críticas.
Era acusado de não contribuir para a elaboração de uma lógica
proletária, revolucionária, socialista. Os ideólogos, pretensamente
marxistas, que defendiam essa "orientação", se assim podemos chamá-la,
não pediam a demonstração da lógica inerente ao mundo da mercadoria e à
sua explicitação. Não pediam uma análise de coesão interna, malgrado as
contradições, da sociedade burguesa (ou da sociedade socialista). Não.
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