Este é um trabalho único, daqueles livros obrigatórios que de tempos em
tempos ajudam a entender melhor as agruras do país em que vivemos. O
jornalista Marcelo Godoy, que construiu nos últimos 25 anos uma
respeitadíssima reputação nas redações de grandes publicações,
dedicou-se por uma década à mais ingrata das tarefas da profissão: fazer
falar quem passou a vida se escondendo.Godoy ouviu alguns dos mais
ativos agentes da repressão da ditadura militar para contar a história
do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de
Operações de Defesa Interna) de São Paulo. Criado a partir de uma
operação semiclandestina instituída pelo governo, a Oban (Operação
Bandeirantes), o DOI-Codi se transformou rapidamente, no início dos anos
1970, no instrumento do regime de exceção para combater as organizações
de esquerda. Inicialmente, o alvo foi os grupos que optaram pela luta armada. A
doutrina do combate à guerra revolucionária mobilizava os militares no
Ocidente do pós-guerra, somada a elementos apreendidos da experiência
francesa na Argélia, inspirou a criação do órgão que juntou policiais
civis ligados ao Esquadrão da Morte com militares que viam, como
primeiro objetivo, eliminar os inimigos.

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