A ontologia de Bloch propõe vários níveis na categoria da possibilidade,
entre eles uma possibilidade subjetiva, que pressupõe a capacidade de o
ser humano realizar sonhos diurnos e construir suas utopias, fato
gerador de uma racionalidade instrumental, determinando o domínio do
homem na natureza. Outro nível de possibilidade identifica, no movimento
da natura naturans, “natureza que produz natureza”, certa imposição ao
ser humano, determinando o domínio da matéria sobre o homem e
consequente degeneração da matéria nesta relação. Este Docta Spes
apresenta a solução blochiana para esse confronto. A “dialética do
possível” se realiza através da convivência orgânica entre as tendências
do ser humano e as latências da matéria. O estudo reflete esta
possibilidade e verifica que o processo de instrumentalização do mundo
revela a “dialética do possível” que pode ser solução incompreendida
diante dos impactos decorrentes da dinâmica da matéria e da atividade
humana, causando, por conseguinte, significativa tensão na docta spes,
esperança esclarecida. Procura-se, então, demonstrar que os reflexos
desse confronto são apropriados por dois movimentos: o primeiro decorre
da instrumentalização do homem, já denunciado pela Escola de Frankfurt e
não compreendido pelo homem no século XXI; o segundo tem como causa a
evolução natural da ciência, colocando em curso tecnologias capazes de
edificar uma nova singularidade no mundo. Neste sentido, o livro sugere
repensar a solução de organicidade, homem-matéria, anunciada por Bloch,
introduzindo como pressuposto o elemento ético nesta relação.
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