Com
o crescimento desordenado da zona oeste do Rio de Janeiro, muitos
geógrafos alertam para que não se repitam erros de ocupação como os que
ocorreram na encosta da Tijuca ao longo das últimas décadas. Muito mais
que equívocos, as resultantes desse processo de urbanização fornecem e
expõem indícios e aspectos culturais da população ocupante. Neste viés, a
história não é mais olhada como a história dos indivíduos, dos grupos
ou dos estados nacionais, tornando-se, enfim, uma análise dialética
entre mudança ambiental e mudança cultural; surge uma nova disciplina: a
história ambiental.
As marcas do homem na floresta: história ambiental de um trecho urbano
de mata atlântica, publicado pela Editora PUC-Rio, faz uma análise
interdisciplinar das resultantes de ocupação históricas na zona oeste do
Rio de Janeiro, em especial na região do maciço da Pedra Branca e no
bairro do Camorim. Revela que no período colonial, época em que a
população da cidade ainda era bastante reduzida, a produção de açúcar
exigiu um consumo relativamente alto de recursos florestais; traça,
também, o caminho de Magalhães Correia, um dos primeiros a descrever, no
periódico O Sertão Carioca, da década de 1930, a vida dos moradores
dessa região; e, ainda, fala dos efeitos, para a região, da expansão
desordenada de atividades econômicas agro-pastoris das últimas décadas.
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