A história dos Jesuítas é
transversal aos Estados Modernos e indissociável da hegemonia cultural do
Ocidente. A Companhia de Jesus expandiu-se pelas missões e conservou-se pela
instituição educativa, tendo na cultura escrita difundida, mediada e formalizada
pela escola, um meio de desenvolvimento e normalização. O núcleo fundante do
Jesuitismo residiu na conciliação entre os Exercícios Espirituais, as
Constituições da Companhia e o Ratio Studiorum. Aos três elementos
escritos, a Companhia de Jesus acrescentou a escrita autográfica e epistolar.
Cultivada por Inácio de Loiola que deixou mais de 7.000 cartas, a epistolografia
foi uma das principais manifestações da Ars Scribendi. Na análise do conjunto de
documentos que constitui este Volume I da Monumenta Historica
(1540-1580), encontramos três grandes categorias de escrita na documentação da
primeira fase do Jesuitismo. Há uma escrita educativa constituída pelos
Exercícios Espirituais e pelas Experiências probatórias, onde a
tónica reside na conversão, na edificação e na transformação do indivíduo. Há
uma escrita pedagógica – uma parte das Constituições e o Ratio Studiorum.
Há uma escrita didática formada pelos compêndios, pelas normas de ensinar e de
examinar, pelas diversidade e complementaridade de exercícios, modalidades de
apresentação dos conhecimentos, modos de leitura e de escrita, escrituração de
presenças, premiações, aconselhamentos.
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