
Neste livro, Fenomenologia e hermenêutica histórica, o organizador e
autor de vários capítulos, Dagmar Manieri, procura reunir estudos que
entrelaçam as pesquisas histórica e filosófica, tentando superar as
relações rugosas, indispostas, entre historiadores e filósofos. O livro
procura estabelecer uma relação respeitosa entre comunidades
“científicas” que, embora se hostilizem, não vivem uma sem a outra.
Manieri retoma uma discussão fenomenológica importantíssima nesse
momento em que a historiografia perdeu as suas referências
teórico-metodológicas antes consideradas estáveis e incontestáveis,
perdas impostas pelas profundas mudanças políticas, econômicas, sociais,
culturais, ambientais, tecnológicas, cognitivas, produzidas pela
aceleração do processo de “globalização” ocorrida no final do século XX e
no início do século XXI. Os capítulos do livro retomam as teses de
Husserl, Heidegger, Gadamer, Ricoeur, sobre o “Mundo da Vida”, “a
temporalidade do Dasein”, o “sentido da história”, visando reencontrar e
reconstruir uma “hermenêutica histórica” esquecida pelos historiadores.
Na modernidade, obcecada com a conquista do futuro, o “progressismo”
levou os historiadores a se esquecerem da questão do sentido do ser, um
esquecimento que os teria feito produzir “leituras históricas vulgares”
(Heidegger), objetivistas, quantitativistas, empiristas, que deixaram de
lado a “qualidade” da “experiência vivida”, que, segundo a
fenomenologia, é um quase-inefável, e para a qual o historiador precisa
“abrir-se” para “compreender” (verstehen). Eis a tarefa que vem se
impondo nas últimas décadas: construir novas abordagens historiográficas
mais adequadas ao novo tempo e, talvez, a reconstrução de abordagens
esquecidas, como a hermenêutica da “compreensão” da Presença, na
história e no tempo, seja uma alternativa.
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