As ideias de John Zerzan situam-se na crítica à tecnologia e à cultura
simbólica como origem da degenerescência da Humanidade que a iniciou com
o advento da agricultura e da domesticação de toda a vida humana e da
natureza. Rejeita, portanto, a divisão social e sexual do trabalho e o
patriarcado, assim como a separação entre a Natureza e a Cultura.
Singular, na visão de Zerzan, é a síntese de várias correntes
filosóficas que elabora na crítica à sociedade moderna e pós-moderna
como suportes que fazem parte de um mundo que se encontra moribundo. As
fontes teóricas do Primitivismo a que Zerzan dá voz vão desde Adorno aos
situacionistas, à antropologia, ao ludismo, à ecologia e ao feminismo,
assim como às correntes igualitárias e anti-autoritárias americanas e
europeias. O Futuro Primitivo é, para nós, a obra mais marcante de John
Zerzan. Para além de refletir uma revisitação teórica da Pré-História,
ataca violentamente as ideias preconcebidas da antropologia oficial e
dá-nos a possibilidade de encontrar uma tênue saída para a catástrofe
iminente.
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