É: o título chama logo a atenção.
O Bia tem jeito para isso. Talvez jeito não seja bem a palavra. É falta
de vergonha na cara, mesmo. Tasca esses títulos, Sexo Anal – seu
primeiro -, agora Buceta, sabe que vai arrancar um sorriso capcioso do
leitor logo assim, na capa. Mesmo que não o convença da compra, vai
fazê-lo piscar. Cogitar.
Não sou eu quem vai lhe estragar a surpresa, leitor. Mas a buceta do
título não é exatamente aquela. Quer dizer: é. Mas não é exatamente.
Esse é um mérito do Bia. Como nos melhores romances policiais, nada é
nunca exatamente o que parece ser. Mas há mais do que isso. Depois de
algumas páginas, o cenário começa a se destacar. Leitor, prepare-se para
mergulhar nesse mundo promíscuo, cínico, corrupto, às vezes nojento mas
também incrivelmente ingênuo que é o do Brasil do interior. Não o
Brasil rural: mas o Brasil das médias cidades, aquelas em que todos se
conhecem de vista.
Ou, ao menos, imaginam se conhecer.
O Bia conhece esse Brasil no qual vivem a maioria dos brasileiros,
segundo o IBGE. Sente-lhe a pulsação. Conhece suas manhas. Somos, todos,
um pouco personagens do Bia. E por mais abjetos que sejam eles todos,
os personagens, no fundo, no fundo, dá uma vontade de perdoar-lhes quase
todos por seus pecadilhos.
Quase todos.
O Bia é um otimista. Se ele estiver certo, de perto não somos lá muito
bonitos. Mas temos salvação.
Não há escritor no Brasil de hoje que descreva este lado do país como
Luiz Biajoni.
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