Embora a expressão violência possa ser compreendida e abordada sob várias perspectivas no âmbito da filosofia e das ciências sociais, não há dúvida de que, no Brasil contemporâneo, ela é portadora de um núcleo de sentido bem mais claramente determinado: a violação da lei penal (o cometimento de condutas definidas legalmente como crimes), que atravessa sistematicamente o cotidiano da maioria das nossas cidades, trazendo implicações negativas (lesões ou ameaças de lesão) para bens como a vida, a integridade física e o patrimônio de indivíduos (vítimas). Se essa associação quase imediata não chega a ser característica exclusiva do Brasil, ela bem reflete o processo pelo qual a violência assumiu entre nós os contornos de um “problema público” . Nos últimos 30 ou 40 anos, verifica-se a emergência e a consolidação, entre os brasileiros, de uma sensação de crescimento incontrolável da criminalidade urbana. Esse quadro envolveria aspectos não apenas quantitativos, mas também qualitativos. Além de aumentarem em número, os crimes agora contemplariam modalidades e meios cada vez mais violentos – como roubos, sequestros e homicídios, em geral acompanhados pelo uso de armas de fogo de grosso calibre –, bem como maior grau de complexidade, atrelando-se, por exemplo, a quadrilhas, organizações ou facções criminosas. Como consequência, emerge entre as famílias do país uma sensação de cada vez mais medo (Caldeira, 2000) e uma postura de cada vez mais reatividade em relação a esse fenômeno e aos sujeitos que nele estão envolvidos (os criminosos).
Baixe o arquivo no formato PDF aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário