Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de
“cuidadora”. Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham,
um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e
conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de
marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados.No entanto esse
internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os “alunos” de
Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de
peças de reposição. Assim que atingirem a idade adulta, e depois de
cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino – doar
seus órgãos até “concluir”. Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção
científica, o livro de Ishiguro lança mão desses “doadores”, em tudo e
por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e
contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e
da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

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