Branca Como O Leite, Vermelha Como O Sangue, de Alessandro D’Avenia, o romance sobre o ano
mais intenso na vida de um jovem, em que ele aprende a lidar com os
próprios sentimentos e, consequentemente, com seu amadurecimento. Leo é
um garoto de dezesseis anos como tantos: adora o papo com os amigos, o
futebol, as corridas de motoneta, e vive em perfeita simbiose com seu
iPod. As horas passadas na escola são uma tortura, e os professores,
“uma espécie protegida que você espera ver definitivamente extinta”.
Apesar de toda a rebeldia, ele tem um sonho que se chama Beatriz. E,
quando descobre que ela está terrivelmente doente, Leo deverá escavar
profundamente dentro de si, sangrar e renascer para a vida adulta que o
espera. Um traço interessante na narrativa de D’Avenia é a técnica de
utilizar cores para descrever os sentimentos e as sensações do menino
Leo; por exemplo, o branco, sinônimo de solidão e silêncio: “O silêncio é
branco. Na verdade, o branco é uma cor que não suporto: não tem
limites. (…) Ou melhor, o branco não é sequer uma cor. Não é nada, é
como o silêncio.” (p. 10) O leitor perceberá a transformação de um
garoto com todas as características da juventude – rebelde, egoísta,
egocêntrico – numa pessoa madura e responsável. Essa mudança começa a
ser percebida quando Leo deixa de jogar o jogo decisivo do campeonato de
futebol para cuidar de sua amiga doente. A convivência despertará nele o
sentimento de cumplicidade e do verdadeiro amor, promoverá o debate do
que é realmente o sonho e mostrará que, no crescimento emocional, é
importante a presença de um orientador, um mentor.Branca como o leite,
vermelha como o sangue não é apenas um romance de formação ou uma
narrativa de um ano de escola: é um texto corajoso que, por meio do
monólogo de Leo – ora descontraído e divertido, ora mais íntimo e
atormentado –, conta o que acontece no momento em que, na vida de um
adolescente, irrompem o sofrimento e o pesar, e o mundo dos adultos
parece não ter nada a dizer.

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