Podemos sintetizar esse livro como um passeio no presente, carregando nas costas uma mochila com as ricas lições de ontem e no horizonte o sol da nova sociedade, de um futuro a ser construído: o futuro socialista. Quando o autor fala do papel dos sindicatos, do Partido Socialista Italiano e da Central Geral dos Trabalhadores parece que está falando da realidade brasileira hoje. Ao ler sobre a burocratização e afastamento dos sindicatos das bases, não se percebe, de imediato, se se trata dos sindicatos de Turim, ou do Brasil dos nossos dias. O mesmo acontece quando o assunto é a CGL, da Itália do começo do século XX. Facilmente somos levados a pensar na Central brasileira (a CUT, a única que merece o nome de central sindical no País), com seu dilema, sintetizado por Ricardo Antunes, na sua repetida frase: “central dentro da ordem ou contra a ordem”. Ou, dito de outra forma, Central classista ou Central cidadã. O sub-título do livro, “a construção do conceito de hegemonia”, é o fio condutor, quase invisível, que perpassa todas as páginas. O que Edmundo mostra interessar a Gramsci é a construção do poder operário. Construção, conquista e consolidação da hegemonia dos trabalhadores, que para Gramsci são sinônimo de sociedade socialista. Para a construção dessa hegemonia é que devem servir os sindicatos, os conselhos e o partido.

Nenhum comentário:
Postar um comentário